Pinacoteca do Estado revela o mundo lendário dos samurais

O Brasil recebe pela primeira vez os objetos do Tesouro Nacional japonês. A exposição O Florescer das Cores: A Arte do Período Edo (1603-1867), em cartaz até o dia 22 de junho, na Pinacoteca do Estado, revela o universo de uma era marcada por xoguns, samurais e isolamento do Japão.

Organizada pela Agência Cultural do Japão, com o apoio do Consulado-Geral japonês em São Paulo e da Fundação Japão, a exposição faz parte das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa ao Brasil (1908-2008). A mostra não apresenta somente espadas e armaduras. Quimonos, leques, objetos de adorno pessoais e domésticos também fazem parte do acervo do período Edo, considerado uma das épocas mais marcantes da história japonesa.

“Escolhemos essa Era porque, apesar do isolamento quase completo do Japão, o país resgatou suas raízes e fez florescer várias manifestações artísticas como o teatro kabuki e nô”, explica Marcelo Mattos Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado. Durante três anos, a instituição negociou com o governo japonês a vinda da exposição. “Uma vez por ano, eu vinha para São Paulo acertar, com o senhor Araújo, os detalhes para trazer a mostra ao Brasil”, lembra Saito Takamasa, um dos principais especialistas em arte cerâmica da Agência Cultural do Japão.

O executivo conta que, desde 1951, foram realizadas diversas exposições sobre a cultura japonesa nos Estados Unidos, Canadá e Europa. No total, são mais de 50 mostras sobre o período Edo, mas esta é a primeira vez que um país da América Latina recebe os objetos que pertencem ao Tesouro Nacional do Japão.

A mostra apresenta 160 peças, provenientes de acervos de 18 museus e instituições daquele país. “Selecionamos aquelas que representam melhor o período tanto no campo político (xoguns e samurais) como no cotidiano (cerâmicas e indumentárias)”, frisa Araújo, ex-aluno bolsista no Japão. A raridade das peças expostas exige controle rígido de qualidade. “Todas as salas são climatizadas com temperatura de 19,3ºC e umidade adequadas de 52%”, explica o diretor da Pinacoteca. Também serão desenvolvidas atividades educativas sobre a exposição e o período Edo.

Todos os objetos são legendados em português e japonês para facilitar a compreensão dos visitantes estrangeiros, principalmente dos nipônicos. Além disso, a Pinacoteca preparou um belíssimo catálogo também em edição bilíngüe (português-japonês) com 380 páginas. Estima-se que um número elevado de visitantes vá à Pinacoteca por causa das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa e das peças que compõem o acervo. “Treinamos nossos monitores em história japonesa, todos estão preparados para a demanda que virá. É uma exposição histórica, que vale a pena ser visitada”, opina Araújo.

Maria Lúcia Zanelli
Da Agência Imprensa Oficial

via Diário Oficial do Estado de São Paulo

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