Meio ambiente: eventos, reuniões e nenhum resultado

Quinta-feira passada acordei as cinco da manhã para emprestar meu chapéu para que o Ministério do Meio Ambiente pudesse fazer uma tremenda cortesia com ele. Como pretendo manter este blog anônimo, os nomes dos eventos serão apenas… “eventos”. Pois bem, a máquina pública sempre gostou de reuniões. Quer marcar uma reunião? Escolha um assunto aleatório, ligue para qualquer órgão público e diga que você quer marcar uma reunião, sem nenhum problema, você terá sua reunião marcada em menos de vinte minutos, basta você aparecer no dia combinado com um bloquinho e uma caneta e cinco horas disponíveis.

Tomar decisões e fazer as “coisas andarem” não faz parte da rotina de um órgão público, ficar discutindo a esmo e marcar reuniões que resultam em mais reuniões é que é o “estilo” da máquina pública. O Ministério do Meio Ambiente “inventou” um evento nacional para discutir… meio ambiente, mas para isso precisa de um evento estadual e um regional para eleger delegados (alguém se empolgou com as eleições americanas) com direito a voto. Funciona assim, o evento regional elege e habilita um X de delegados para participarem do evento estadual que elege e habilita outro X de delegados para o evento nacional, sendo que todos os eventos têm como temática o batido e absolutamente clichê “aquecimento global”.

Uma das entidades convidada por nós para participar do evento regional nos enviou uma carta expondo um posicionamento compartilhado por diversas pessoas, que, infelizmente, não podem assumir tal opinião, afinal de contas, ter uma boa imagem política é importante. Após mostrar que não estava interessada em participar da terceira edição do evento nacional, a entidade fez algumas considerações bem ácidas sobre a iniciativa do Governo Federal em ficar fazendo eventos e mais eventos. Acompanhem alguns trechos:

Tal deliberação foi tomada após cuidadosa avaliação não apenas dos resultados dos dois eventos nacionais anteriores, mas principalmente diante de critérios que nortearam a organização de ambas, os quais, ao que tudo indica, continuarão a ser os mesmos, impossibilitando que os setores produtivos, desproporcionalmente representados, dêem, em clima construtivo e positivo, uma efetiva contribuição aos trabalhos realizados em tais encontros, no propósito de que o Brasil atinja, efetivamente, as melhores condições para um desenvolvimento sustentável.

[...]

Nessa perspectiva, nossa entidade, acredita que maior ênfase deva ser dada ao fortalecimento do diálogo entre as representações dos setores econômicos e das entidades ambientalistas, desde que em clima de cordialidade e boa vontade, mas sem continuas discussões estéreis, em ambiente por vezes hostil, resultado quase sempre apenas em desgaste desnecessário e sensação de inutilidade.

[...]

No entanto, cabe lamentar que esse propósito não tenha se concretizado a partir da exaustiva experiência vivida pelo nosso setor nos dois eventos até aqui realizados, nos quais não houve clima para o diálogo construtivo [...]. De qualquer modo, independentemente da não participação de nossa entidade no evento nacional, manifesto nossa plena abertura para o diálogo em torno de quaisquer outras formas para a efetiva construção de um “espaço de convergência social para a formulação de uma agenda nacional do meio ambiente”.

O grande problema é que o evento nacional está indo para a terceira edição e até agora nada foi efetivamente realizado, além de reuniões, claro. Todas as pessoas que participam destes eventos, em todas as instâncias, definem metas e fazem sugestões para que os governantes melhorem o local onde vivemos, o problema, é que eles não saem disso. Gasta-se milhares de reais de dinheiro público para se fazer eventos que não resultam em nada que não seja mais eventos, se o recurso investido em reuniões ainda fosse direcionado para efetivamente se realizar algo, mas não, as reuniões e eventos parecem ser a prioridade.

O pior é que além de ver isso tudo e não poder fazer nada, ainda sou obrigado a contribuir para que isso tudo aconteça. E a coisa toda não para por aí, dia 22 de março é Dia Mundial da Água, e adivinhem só o que o Governo do Estado nos obriga a fazer! um grande, longo, exaustivo e caro… evento. Cartões corporativos são apenas a ponta do iceberg!

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One Response to “Meio ambiente: eventos, reuniões e nenhum resultado”

  1. por isso que falei para você aquele dia que estou desanimado com essas coisas. Vou pedir desligamento de todas as comissões que participo. Se é para ficar conversando só, eu faço isso bem melhor no meu blog.

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