Não existe bolha para o modelo do AdSense

O Bruno enviou pelo Twitter, um link do Grande Abóbora sobre uma longa troca de emails de uma teórica oportunidade de emprego entre uma tal de Nádia e o Marcus do Grande Abóbora. Tudo começou com a estupidez da referida em utilizar o formulário de contato de um blog para enviar seu currículo em busca de um emprego. Leiam o post, ele chega até ser divertido. Agora, qual o lado ruim desta história? ou seria o lado bom? Esta resposta depende do ponto de vista.

O lado bom da internet infestada de Nádias

O lado bom está claro para todos que investem em diversos programas de afiliados Pay per click, a monetização de sites e blogs, a coqueluche da internet. As Nádias sustentam muitos sites por aí! Com um conceito muito bem formulado, está claro que a internet é contaminada de pessoas ignorantes, que não sabem diferenciar conteúdo, de lixo, ou mesmo, links de propagandas, de links diretos. Este último pode explicar o sucesso da propaganda textual encabeçada pelo AdSense do Google.

Este tipo de discussão é cíclica, manter blogs somente com assuntos que serão de interesse público (o tal hype), ou escrever um bom texto meticulosamente estruturado, são essenciais quando falamos em “viver de blog”. Até um tempo atrás eu imaginava que isso era uma bolha que poderia estourar a qualquer momento, por dois motivos:

1 - As pessoas acabariam aprendendo a navegar na internet, deixando de clicar e/ou acreditar em qualquer coisa, abandonando a idéia de que “se está na internet é verdade” (não, eu não acredito em contos de fada). Hoje em dia esta máxima não pode ser utilizada para nenhum tipo de mídia, quem dirá para a internet, a mais dinâmica de todas elas.

2 - A qualidade dos cliques acabaria sendo questionada pelos anunciantes que compram este tipo de publicidade, adquire-se 10000 exibições, que geram 8879 cliques e 3 “vendas”. Não adianta seu blog/site ter um milhão de acessos mensais, sendo que menos de 10% destas pessoas clicam nos anúncios, dos quais 99,9987% deste montante não sabe o que está fazendo, mas a lógica não é bem essa, e isso nos leva a notar o lado ruim.

O lado ruim da internet infestada de Nádias

O lado ruim é que, infelizmente, para a população cada vez mais crescente que acessa a internet a quantidade de Nádias que conquistam este acesso tem aumentado vertiginosamente e, pior, nunca vai parar. As Nádias ao invés de serem educadas pelo governo em sólidos programas de inclusão digital, aprendem apenas a ligar o computador, a digitar textos porcamente, criar um perfil no orkut, usar o msn e a desenhar no Paint, nunca aprendem a navegar pela internet. Surge dai aquele sujeito que acredita em tudo que vê na internet, incluindo aquele banners que afirmam: “Você é o visitante 999.999, Clique aqui para receber seu prêmio”

Nada de explicar o que é e como utilizar o tal do Google, explicar como buscar informações sobre determinados assuntos, saber que a caixa de comentário de um blog é diferente de um formulário de contato de uma companhia telefônica ou de um terreiro de candomblé. Na verdade, a etapa mais importante da inclusão digital começa na escola, quando a pessoa aprende a gostar de ler, sabendo diferenciar uma ironia de uma verdade ou mesmo se interessando realmente pela pesquisa que está fazendo, deixando de ser um desprezível leitor de título, entendendo que aquela caixa de comentário não é uma panacéia.

Zona Franca de Manaus

Esta indústria de paraquedistas do Google que o Governo Brasileiro criou por meio de um programa de inclusão digital deficiente associado a uma educação básica mais deficiente ainda, assume toda a responsabilidade pelo volume de cliques gerados nestes anúncios. Por incrível que pareça, os anunciantes não reclamam, pelo contrário, consideram a publicidade do Google excelente para a divulgação de sua marca. A dinâmica deste processo de surgimento de Nádias, é um potente motor que garante rendimentos eternos para quem utiliza este modelo de monetização.

Sobre o anunciante ainda optar pelo Pay per click, eu tenho a mesma opinião da existência do spam. O spam existe por que deve haver retorno para o spammer, claro que o custo disso perante o programa de Pay per click é irrisório, mas o paralelo é válido. Apostando que o sucesso do AdSense não está na rotatividade, mas sim na fidelidade e confiança dos anunciantes com relação ao modelo, conclui-se que se as empresas continuam investindo seu dinheiro em programas Pay per clicks é por que o programa tem resultados satisfatórios.

Apesar de ter tratado o assunto como sendo exclusivamente um peculiaridade brasileira, é fato que o mundo todo está infestado de Nádias, basta participar de listas de discussão gringas ou ler aqueles comentários enterrados do Digg. Afinal de contas, o modelo de publicidade textual não é sucesso somente no Brasil, o que comprova que apesar de serem estúpidas, as Nádias são poliglotas e estão espalhadas por diversas partes do mundo.

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6 Responses to “Não existe bolha para o modelo do AdSense”

  1. uau, você pegou na raiz do dente agora. Doeu mais que tratamento de canal. Já havia discutido com você essa questão da bolha do adsense. Sempre me perguntei quando ela iria explodir. Mas, vendo por esse lado acho que você tem razão. Algum lucro essas empresas devem ter. E o contingente de Nádias aumenta em progressão geométrica. O futuro é negro. Acho que vou colocar adsense no blog.

  2. É como te falei, foi mais para organizar as idéias sobre o que estávamos discutindo aquele dia…

  3. Otimo texto, isso me leva a crer que meu blog tem leitores acima da inteligencia média :D

  4. Eu não imaginei que meu post fosse gerar este tipo de buzz. Era para ser só uma piada (se de bom ou mau gosto, depende do freguês) mas acabou gerando, pelo menos no teu blog, uma discussão interessante sobre a relação entre o perfil dos usuários de internet e os anúncios pay-per-click.

    Muito bom o teu ponto de vista.

  5. É meio nada a ver, tipo, tu citou os comentários do Diggo, mas o exemplo gringo de que não é só no Brasil está mesmo no YouTube, praticamente todo vídeo por lá tem um comentário bizonho! Fico imaginando se televisão tivesse comentário… Ahh, quer dizer não, lembram daquele programa do BBB só para maiores? Não sei como a Globo tinha coragem de publicar as mensagens que o público enviava… =P

  6. A bolha do Adsense também é um mistério para mim. A gente vê muitos blogueiros saindo do programa, vendendo publicidade diretamente ao consumidor. Mas isso é só uma ilusão, visto que milhões de sites ainda usam o Adsense.

    A propaganda na web aumenta a cada ano, e é por isso que ainda vai levar muito tempo para o Google Adsense fechar a porta. Sempre vai ter quem mame nas tetas do programa (!).

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