praia grande

secretaria do estado de negócios da segurança pública
repartição delegacia sede de praia grande

boletim de ocorrência nº:.4761/04-pc

natureza: roubo
data: 29/07/04
local: av. presidente castello branco, s/n, vila mirim-pg
hora da comunicação: 09:30
hora do fato: 08:30
indiciado: a apurar um indivíduo de cor parda, trajando calça e camisa de cor marrom com uma toca na cabeça de cor cinza e armado com um revólver.
vitima: meu chefe
objeto roubado: um aparelho telefone celular de marca motorola v810 de linha número …
vítima: eu
objeto roubado: um aparelho telefone celular de marca lg bd-4000 de linha número …
testemunhas: nenhuma
solução: apreciação da autoridade
exames requisitados: nenhum
histórico: comparecem as vítimas acima mencionadas, noticiando a autoridade que estavam no local dos fatos, quando foram abordadas pelo indivíduo acima descrito, que sacando de uma arma de fogo veio a roubar-lhes os seus telefones celulares acima mencionados, sendo que em seguida se evadiu tomando rumo ignorado, e nada mais.

elaborado por:
josé wilson da silva / escrivão de polícia
dr. carlos batista / delegado de polícia

praia grande, 29 de outubro de 2004

sabe, depois que acontece o assalto a gente fica meio atordoado, sem rumo e meio bobo até tomar ciência do que realmente aconteceu… o pior de tudo não é o aparelho que eu perdi, mas sim a sensação de vulnerabilidade e impotência que é ter uma coisa sua tomada de maneira tão repugnante… o jeito que o sujeito te aborda, o jeito que ele te trata, as coisas que ele fala, fica tudo martelando na sua cabeça até que chega uma hora que o nosso cérebro bloqueia… a gente não lembra direito os trajes do maldito, não lembra do que ele falou, esquece de tudo… na hora de fazer o b.o. o sujeito ja tinha sumido da minha cabeça, não conseguia lembrar de detalhes para descreve-lo… só conseguia ficar pensando no “e se”…

e se eu tivesse feito um movimento brusco qualquer? e se me chefe, que estava comigo, resolvesse topar de frente com o marginal? e se nós não tivessemos saido para caminhar aquela manhã? e se o bandido se assustasse com algo? e se ele tivesse atirado?

depois que cheguei no quarto do hotel e liguei bloqueando a linha fiquei pensando nisso tudo, acreditem, é a pior sensação que podemos ter, pior até do que o cara a cara com o sujeito… todas as possibilidades para o acontecido passam como flashs pela nossa cabeça e tudo vai ficando cada vez angustiante… a possibilidade do tiro foi que me deixou mais pra baixo, fiquei pensando isso o dia todo, sentava para assistir as palestras e ficava pensando em tudo que teria acontecido se ele tivesse atirado… qual seria a reação do meu chefe? e o as pessoas que estavam lá comigo, o que fariam? como seriam as coisas aqui em casa? e meus amigos, o que será que aconteceria? será que eu morreria? ou ficaria em uma cadeira de rodas? é estranho pensar isso, mas é involuntário, não sei se vocês ja foram assaltados, tomara que não, mas é so quem passa pela situação de ter uma arma apontada contra você sabe como que é isso…
o engraçado é que os simpsons hoje tratou desse assunto, a marge foi assaltada e ficou com pânico de sair de casa, ficava pensando em como seria se ela colocasse o pé pra fora de casa… lembrei de novo do assalto… não vou negar que fiquei assim também, no mesmo dia do assalto, a moça que trabalha comigo me chamou para caminharmos no calcadão da praia logo depois ao almoço, ela não sabia de nada pois resolvemos contar para o mínimo de pessoas possível para não apavorarmos ninguém, quando ela me chamou demorei uns segundos para dar a resposta e ela até estranhou, mas concordei… na rua ficava prestando atenção em tudo e em todos, acha que a qualquer momento poderia acontecer tudo de novo, é quase uma sensação de pânico… simplesmente horrível…

depois que cheguei em casa contínuo meio chateado com isso tudo, mas estou melhor, pensando em tudo que aconteceu ainda, mas bem melhor…
isso foi só um desabafo…
até mais gente:/

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