histórias onibulísticas
sempre tive vontade de escrever minhas peripécias onibulísticas para meus queridos leitores, compartilhar com vocês os absurdos e insanidades que o povo prudentino fala enquanto vai para o trabalho… ja escutei de tudo nessa vida, desde receita de bolo de fuba com erva doce até o marido da filha da fulana que chegou chutando a porta de casa e pegou a dita com outro… confesso, que em muitas histórias fui obrigado a disfarçar muito para não começar a dar risada e acabar apanhando de bolsadas de alguma tia por aí… mas estou aqui para dizer que achei a história de ônibus perfeita que traduz tudo o que eu passo durante minhas viagens urbanas de uma cidade média do interior paulista…
este engraçadíssimo texto eu achei no blog do andreh que copiou do blog do alien… vale muito a pena ler… sem falar nas visitas aos respectivos blogs, que são muito bons…
“Se existe um lado bom em ser obrigado a andar de ônibus, é a diversidade de assuntos que se ouve nas dezenas de conversas no vai-e-vem deste bólido meio de transporte. Aliás, arrisco a dizer que estudos antropológicos profundíssimos poderiam ser escritos apenas escutando-se atentamente estas conversas. Pra alguém como eu que simplesmente não consegue deixar de sintonizar o canal do bate-papo, é um prato cheio. Já tentei de tudo, ler um livro, cantarolar algo, mas não adianta porque a parabólica liga e ponto final. Eu já ouvi de tudo! Tudo mesmo… outro dia uma senhora explicava detalhadamente pra uma mocinha, que parecia ser recém casada, a receita passo a passo de como fazer um prosaico bife acebolado: ‘olha fia, o bife tem que ser de carne de primeira, viu? alcatra, contra-filé… ah e não pode deixar fritar muito porque fica assim, sem gosto…’. Teve uma outra vez um moleque dos seus 16/17 anos, que contava com riqueza de detalhes pro amigo ouvinte, a transa dele, verdadeira ou pura lorota nunca vou saber, com fulaninha que: ‘mano, saca, ela era muuuito gostosa, véio! no começo ela ficou assim meio tímida, mas aí fui chupando os peitinhos dela, véio e ela foi deixando …’ e por aí vai. Confesso que fiquei até meio excitado. Vixe! Sem contar aquelas pessoas que puxam papo com você. Você ta lá quietinho, apurrinhado porque já tá atrasado pro trabalho, ou cansado voltando pra casa, e o cara: ‘moço, é difícil essa vida… o sr. escutou hoje a última da prefeita? parece que vai ter taxa nova… blá, blá blá…’ e você com cara de tacho, tentando ser simpático. Hoje, vindo pro trabalho, escutei uma bem curiosa. Duas senhoras evangélicas conversavam, acho que eram evangélicas porque recheando o papo saíam expressões do tipo, ‘pela a glória do senhor’, ‘Jesus teve misericódia’, ‘Deus tudo pode’. Mas, a que mais me chamou a atenção e a que uma delas usou com mais freqüência foi ‘Deus tem trabalhado’. Ela falava das transformações na vida dela depois de se converter e tal e dizia que: ‘… tudo tá maravilhoso, Deus tem trabalhado, e agora nem feira falta! minhas filhas abrem a geladeira e tem tudo. Deus tem trabalhado’. Imediatamente tentei montar o cenário na minha cabeça. Deus lá no meio de todos seu afazeres, ‘trabalhando’ e dando um duro danado e depois indo lá fazer feira, comprando pepino, laranja, banana, tomate e colocando tudo na geladeira da mulher. Ai, ai, ai, que viagem!!! Das duas uma, ou eu compro logo um carro, ou mudo meus planos pro futuro e vou escrever uma tese sobre o comportamental humano, baseado em conversas ouvidas nos ônibus da cidade. E, claro, ponho Deus pra trabalhar e me ajudar nessa nova empreitada. Valha-me Deus!”
bom fim de semana pessoal…
até mais:)









